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sábado, 16 de setembro de 2017



Um Manifesto Mil e Um Problemas




Por  Everaldo Soares

 

    E aconteceu que naquela noite os telejornais anunciaram a criação de um novo partido, diziam que os antigos fracassaram lamentavelmente. Gregório, politico bom e justo, protestou:
    - A cidade não precisa de outro partido, precisa de ver fazer valer as leis e promessas feitas pelos partidos vigentes, porque a lei não se aplica contra o descaso daqueles que fazem as leis, eles vivem à custa de contribuintes estarrecidos, pobres e oprimidos.
    Os discursos se repetiam, como se algum dia cessassem de se repetir, alguns de seus aliados mudaram de lado, outros ficaram divididos. O partido se fortaleceu, Gregório começou a olhar o partido como se olhasse para uma mulher, por fim, ele próprio, ficou atraído pelo novo partido.

    E eu ouvia Willy, o apresentador lobo enquanto a chuva varria o telhado da velha casa, e o vento sacudia as antenas de vhf.
    Enquanto falava, sua imagem tremeluzia como um vulto, sua voz parecia um sussurro fantasmagórico. Então me lembrei do poeta que escreveu: "há de ter fé na palavra como um cão olha seu dono", e Wlly estava diante de uma cidade que olhava para ele, toda vez que se punha a falar.

    Durante a noite, eu conversei sozinho, depois ordenei minha voz que calasse... sobreveio o silêncio... e a palavra quebrou o silêncio outra vez. E eu falei aquela noite inteira... estava sóbrio.
    Noutro dia, a cidade amanheceu agitada sobre os arranha céus, condomínios, campos e favelas. As pessoas iam e vinham pensativas, ninguém sabia em quem mais confiar.

    - Acho que não sei em quem mais acreditar - relatou-me um morador da vila, desempregado havia quatro anos. Depois saiu andando, aborrecido, melancólico, e conversava sozinho. Disseram mais tarde que tentou morrer.
    Mas o que se havia de fazer! As pessoas estavam desiludidas e enfraquecidas, talvez fosse melhor morrer.
 
    Sobreveio a noite, e eu rezava todas as noites antes de dormir. Porque era bom dormir, para não ouvir os murmúrios da cidade.
    Certa tarde cheguei em casa, eu me achava diante do espelho da sala. Pensava sobre os problemas que afligiam as pessoas, me lembrei do mendigo deitado na calçada perto dali, mais adiante outro mendigo... e mais outro. Escutei Willy, o lobo articulador, falando na Tevê:

    - Nos últimos anos. surgiu uma nova classe, e o índice de pobreza caiu significativamente. - Mas eu via miseráveis por toda parte.

    Um dia Willy reportava com falsa serenidade, num dos cantos sombrios da velha cidade:
   
    - Um garoto de dez anos estava a disposição do crime e morreu por quase nada, não tinha pai nem mãe, a morte será como uma mãe para ele agora. - E fingiu compadecer-se do menino.

    Depois eu ouvi uma voz incomum, vinha do meu subconsciente, e dizia: ' a Terra, onde habita o homem, é um lugar muito estranho.'
    Então eu disse: estou pronto para descer pelo poço, ninguém vai sentir minha falta. A voz continuou: 'a interação mutua entre os seres humanos está enfraquecida.'
    Eu pensei que estava enlouquecendo. Novamente sobreveio o silêncio.
 
    Numa noite tranquila, eu caminhava pela vila, quando me deparei com um movimento luterano. De longe, uma voz conhecida proferia o seu manifesto...

    - O diabo esbarrou o pé nesta cidade senhores, - dizia o reverendo Josefo - e o pecado do demônio não se conta com o dedo das mãos. - Concluiu.

    A platéia escutava com avidez e eu acompanhava Josefo de olhos e ouvidos.
    - A corrupção corre como sangue venoso no coração desta cidade, penso que ela está infartando. - Depois advertiu:
    - Quando a ignorância é a dona do baile, ela dança com todos. "Sejamos astutos como as serpentes" na hora de escolher nossos representantes públicos.

    Na manhã seguinte, deu inicio ao último debate entre os partidos antes das eleições. A imprensa local convidou Willy como moderador do discurso.
   
    Willy provocou um dos partidos quando esbarrou num assunto polêmico: insinuou que alguns de seus partidários apoiavam a 'reserva de mercado' no município, desviando o debate de seus propósitos, daquilo que o discurso deveria ser. A opinião pública ficou confusa, ninguém sabia o que era reserva de mercado.

    Falsas acusações extrapolaram o limite de paciência de alguns membros do partido. O debate inflamou-se com palavrões, alguns políticos acusaram Wlly de ser um militante de esquerda. A opinião pública ficou ainda mais confusa, ninguém sabia de fato,o que era a esquerda. Era
bem verdade que para muitos o lado era o que menos importava.     Nos dias que se seguiram, vieram as eleições, e eu chorei muito naquele dia. As pessoas seguiram com suas vidas, queixosas, lamentando e praguejando.

    E tudo se repetiu como se algum dia cessasse de se repetir. Depois passamos quatro anos rindo de nosso próprio luto. A cidade morreu.


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Everaldo Soares
everaldo.uni@gmail.com










 

 

 
 

terça-feira, 4 de julho de 2017



Por Everaldo  Soares


P R E L Ú D I O


E N T R E   A   V I D A   E   O S   S O N H O S





    Sobressaltado e confuso, Artur abriu os olhos, e um facho fino de luz incidiu sobre eles. Os primeiros raios de Sol, ganharam a sala por uma fenda semi-aberta da persiana. Ele ainda permanecia imóvel na poltrona, assombrado pelo fantasma de seu próprio silêncio. Vagueou por muito tempo, em terras desconhecidas nas fronteiras obscuras do inconsciente, até que uma leve dor no estômago o trouxe de volta.
    Ele recobrou os sentidos e os movimentos, ergueu o braço tapando com a mão o brilho ofuscante que perturbava seus olhos, e só então se deu conta do cachorro de pé em seu colo, apoiado sobre as patas traseiras. Latia freneticamente no pé de seus ouvidos.
    Por vários segundos, Artur observou silenciosamente o pobre animal agitado, só depois expressou um leve sorriso. Ele agora não sentia mais dor, nem medo, só estava feliz em ver o cão ali, nunca sentira antes tamanha felicidade. Segundos depois ele se levantou, e segurando o animal nas mãos, titubeou até o telefone que tocava incessantemente.

    "Senhor Artur!? Uma voz bem calma falava do outro lado da linha.
    "Sim, ele mesmo". Respondeu um pouco ofegante, enquanto colocava Ozzy no chão.
    "Falo do consultório da Dra Sofia, o Senhor agendou consulta para as nove horas da manhã de hoje. Pediu para que eu entrasse em contato, caso o senhor esquecesse."

 "Ah, puxa vida!" Ele esfregou os olhos, virou para o relógio na parede, os ponteiros marcavam nove horas...



*                    *                    *



    Assim que chegou em casa, Artur desceu do carro e conferiu o relógio de pulso. Marcavam onze horas da noite.
    Ele passou pelo  canteiro de jasmim, e viu Fí, entrincheirada atrás das margaridas do jardim da esposa. A gata siamesa espreitava  roedores e pássaros intrusos.
    Ele atravessou a porta da sala indiferente, deixou o vidro do carro aberto, e jogou as chaves sobre um Garrard Gradiente velho num canto da parede da sala.

     Assim que as luzes se acenderam, o pequeno vira-lata rachou o silencio da casa, com um ladrido espantoso de boas vindas ao visitante recém chegado. Artur rendeu-se a pequena criatura, que, a julgar sua aparência e agitação, reclamava sua atenção.

    "Suponho que esteja com fome amiguinho!" Falava enquanto despejava o pacote de ração para cães, na tigela do pequeno Ozzy, o cãozinho de pelos pardos, que  Artur  tratava como um membro legítimo da família.

    Satisfeito, o pequeno hóspede agradeceu o anfitrião da casa, com a educada maneira de retribuir dos cães.
    "Está bem coleguinha, agora precisa descansar." Acomodou o corpo frágil do animal, em cima de um tapete sobre a esteira da sala ao lado do painel de televisão. "Você terá um dia cheio pela frente, amanhã o novo carteiro precisa ser apresentado, você não acha?" Desta feita, despediu do amigo desabotoando a pulseira do relógio, e caminhou lentamente até a sala de jantar, onde, um porta- relógio suíço decorava o amparador de espelho. Guardou o relógio ali, cuidadosamente, e voltou para a cozinha.

    A visita indesejada da nostalgia, fez com que Artur começasse a andar abatido pela casa, ele andava muito nervoso naqueles dias, e tomava medicamentos para controlar a ansiedade.
    A morte inesperada da esposa a menos de quatro meses, abriu um abismo enorme que separava a saudade, do desejo de supera-la.
    A cabeça de Artur  tornara-se um esconderijo de sentimentos obscuros, tristeza e angustia reinavam o seu castelo interior. O nascimento prematuro do primeiro filho do casal, levou a complicações no parto, trazendo Júlia a óbito por uma grave  hemorragia. Mãe e filho morreram, levando com eles uma parte do jovem esposo.

    A bordo do navio fantasma, assombrado de solidão, ele navegou em águas profundas. Afastou- se do trabalho que tanto amava, se recusara a receber amigos e parentes, só a depressão lhe fizera companhia, e com ela tramara as mais terríveis armadilhas para a própria vida. Por sorte não caíra em nenhuma delas.
    Quando em quando ele passeava pelo quarto do casal, carregando no colo o cachorrinho que a mulher adotara meses antes, Júlia adorava animais e trabalhava numa clinica veterinária. Ela era membro de um grupo independente, que cuidavam de animais abandonados e depois doavam a pessoas interessadas, que gostariam de ter um animal como companhia.
    Nas vésperas de festas comemorativas, como o dia das crianças ou nas comemorações de final de ano, Júlia era voluntaria na paróquia Maria das Graças no bairro onde moravam. Lá, ela ajudava na coleta, e distribuição de brinquedos e alimentos. Dali, seriam transportados para vários rincões do estado. Marta supervisionava a atividade, e era ela sempre, a principal responsável pelos serviços filantrópicos, organizados pela comunidade. Não tinha muita saúde, pouco mais velha que Júlia, era um corpo frágil num coração íntegro e forte.

    Ele ainda guardava os pertences pessoais da esposa. Um cordão com um pingente de Santa Tereza D'ávila descansava por entre as paginas da bíblia aberta sobre o criado mudo, e vários exemplares da madre carmelita. Ela era leitora assídua de sua obra.
    Júlia tinha precedentes espanhóis, mas seus antepassados eram tradicionais hindus. O contato com os cristãos da Ordem na adolescência, fez acender uma chama na mina escura da alma de Júlia.

    Ela adorava a companhia do tio Filemon, embora fosse o tio biológico de Artur, irmão de seu pai. Ele era o Pároco responsável pela paróquia a qual Júlia pertencia. Filemon era um homem esguio e calvo, dono de um semblante calmo e alegre. Ao contrario, o sobrinho  não era muito alto como o tio, mais era um jovem robusto, de cabelos compridos e olhos castanhos.
    O padre Filemon era um homem inteligente, tolerante e um estudioso dedicado, para ele não importava a versão, mas sim, os fatos. 'A terra gira em torno do sol.' É um fato, dizia ele.

    Artur era um agnóstico evolucionista, mas compartilhava com a esposa e o tio algumas de suas reflexões. Mas existia um contraponto de idéias, uma vez que Júlia dizia que o ser humano  feito a imagem e semelhança do criador era de substância espiritual. Ele costumava, sempre que podia, advertir Júlia contra a natureza animalesca do bicho-homem.

    As vezes ele a deixava irritada com alguma brincadeira. Disse certa vez: 'Se você vestir um macaco e ensina-lo a pegar um táxi, ele continuará sendo um macaco vestido pegando  um taxi'. Uma vez Artur bebeu umas cervejas a mais, e disse para o tio que ele havia perguntado a um amigo judeu, o que passara na cabeça dos judeus que sobreviveram ao holocausto do terceiro reich. A resposta do colega foi categórica. Dissera: ' Na cabeça eu não sei, mas meu avô dizia que, quando ainda menino, fora deportado da Itália para a Alemanha, os judeus italianos que escaparam tinham o desejo no coração, de enforcar o Papa com as tripas do velho Mussolini.' Dizia o outro.

    'Não é tão simples assim!' Dizia o sacerdote virando uma taça de vinho tinto, enquanto Júlia preparava o almoço. 'Mussolini e seus capangas fascistas , colaboraram para a causa nazista. Mas não se esqueça meu rapaz, que o Santo Padre representa a Santa Igreja, e defende seus códigos morais de unhas e dentes. Não existe nenhum documento que comprove as acusações feitas contra o pontificado de Pio XII, com exceção dos escritores anticatólicos, o que vem a ser outro embuste.'

    Júlia era mais cautelosa,apesar de ser complacente com as palavras, nutria por elas o seu grande valor poético, e Artur sabia disso.
    Sempre muito tranquila, era difícil vê-la aborrecida com alguma coisa, era uma mulher muito bonita, tinha um rosto fino e "seus olhos"  eram  "negros" como a noite, ele costumava dizer invocando o espírito do poeta preferido de Júlia. Recitava:

    'Seus olhos tão negros,tão belos, tão puros,
assim é que são.
As vezes luzindo,serenos tranquilos,
as vezes vulcão.'

    Ela amava Gonçalves Dias, o poeta náufrago, mas seus poemas flutuavam na imaginação de Júlia, que os tinham como referencia de inspiração para suas próprias poesia

    Os dias que anteciparam a morte da esposa, também antecipavam a chegada do aniversário de Artur. Marcou profundamente a vida dele, os episódios que se seguiram após sua partida.
    Passaram-se algumas semanas, após o fatídico dia de despedida da mulher, ele começou a reorganizar a bagunça que o desdém pela casa se encarregou de trazer. Ele começou a organizar o guarda- roupas do casal, retirando todos os cabides com as roupas de Júlia. Pretendia doa-las.
    Viu no fundo da espessa base um invólucro, e verificou dentro que havia uma pequena caixa envolta em um papel brilhante e abriu. Dentro havia um porta- relógio, e um pequeno cartão nele dizia: 'Para Artur com carinho. Assinado:  Júlia. Feliz Aniversário.'
    Assaltado por uma sensação sem nome, ele sentou na beira da cama, e bem devagar, retirou o relógio da caixa e colocou no pulso. Guardou o porta-relógio em cima de um amparador, e nunca mais  tirou de lá. A mão do destino pode ter escondido de seus olhos o presente da esposa, mas não pode esconder  os sentimentos que Artur sentia  por ela até o seu ultimo suspiro. Aquele foi o seu maior presente.


*                    *                   *


     Nesta noite, o silêncio engoliu a casa, era possível ouvir do quarto o tic-tac do relógio de parede da cozinha. Um torvelinho de pensamentos começou a rodopiar na cabeça de Artur, ele sabia que o silêncio contava histórias, mas não estava disposto a ouvi-las.
    A brutalidade do poder do silencio, arrebatou seu espírito que agora planava pelos desertos da saudade e da solidão. Ele perambulava pela casa feito um cão perdido, correu até o espelho a procura da face perdida do verdadeiro Artur, mas não encontrou, viu um zumbi deprimido de aspecto horrível fadado a vagar sem rumo.
    Sussurrou baixinho temeroso de ouvir as próprias palavras virando-se para a porta. A vida tinha esconderijos, mas Artur não tinha a intenção de se esconder, ele passou os olhos pela casa parado no hall da sala. Ah sim! tinha uma saída, talvez duas, ressuscitar aquele rosto fantasmagórico sepultado no espelho e seguir em frente ou...
    Começou a andar de repente de um canto a outro da casa, e voltou os olhos para uma garrafa de vodka em cima do balcão da sala. Ele investigou as opções, dava a impressão que ela prometia solucionar o caso clássico do pensamento sádico em estado de choque.

     Ele não era um amante da bebida, mas pensou: 'Que importa!' Além do mais, o chão da sala  é o  limite. Levantou a garrafa para um trago enquanto vacilava caminhando tirando os sapatos dos pés. Tomou o controle nas mãos, apagou a luz, e caiu na poltrona em frente a televisão.

     Artur acolheu mais um gole de bebida no estômago vazio, e colocou a garrafa no chão sobre o espesso tapete. Depois guardou o disco vinil dos beatles que mais amava: a banda do clube dos corações solitários do Sargento Pimenta.
    Sobre uma mesa rustica arqueada ele abrigava sua coleção completa de álbuns, e mais algumas revistas cifradas para violão que ele colecionava. Ganhara de presente do pai, junto com um violão, quando só tinha treze anos, pouco antes de sua morte repentina.
    O jovem Artur entrara em estado de choque, nunca conhecera a mãe biológica, e seu pai, segundo diziam os parentes próximos do menino confuso, era Deus quem o havia levado, junto com sua mãe. Que tipo de Deus levaria tudo de uma criança? E por qual razão o faria?
    Estas foram as perguntas que o jovem Artur se fez, logo que perdeu o pai. Ele parou de tocar com o coral da igreja, se recusara a receber o sacramento da crisma, arregaçou as mangas e foi trabalhar para ajudar sustentar os irmãos mais novos. O tio que era padre, teve profundo impacto na vida de Artur, foi ele quem ajudou a cuidar da família. Artur tinha profunda gratidão e respeito por ele.

    Voltou para os noticiários de tevê que cobria a seguinte matéria: Outro caso de morte envolvendo policiais nos Estados unidos causam revolta e protesto. Na ultima quinta feira um homem negro foi morto com cinco tiros por dois policiais branco, a acusação contra os policias é de racismo. Os policiais alegam legitima defesa, mas o caso está sendo investigado. 

    Enquanto a reportagem notícía o faticídio com imagens de violência e caos em frente a delegacia de policia local, uma barra de noticias  mostrava a seguinte nota: Um terrorista abriu fogo no sul da Flórida deixando vários mortos e outros tantos feridos. 

Outra noticia adjacente dizia: A Câmara dos Deputados da Itália aprova o casamento entre os homossexuais.

Segue noticiando: A maior autoridade católica, o Papa, é acusado de omissão de caso de abusos sexuais contra crianças, por parte de religiosos que exerciam atividade sacerdotal.

     'Ora! ora!' Dizia consigo mesmo. 'Um negro é perseguido! Um terrorista passeia pelo parque!.
     'gays abandonam seus armários!
     'Tarados celibatários deixam seus gabinetes para viverem suas fantasias, com a benção da santa ignorância daqueles que escrevem a cartilha do bom cidadão.'
    Com a visão meio turva e os reflexos alterados deixou o controle cair no chão.

    A noite já velava o sono entorpecido de Artur, quando uma voz chamou sua atenção no vídeo. Recostou a cabeça sobre a poltrona e levantou penosamente as pálpebras dos olhos.
    Uma voz intimidadora falava á uma multidão de pessoas, e enquanto gritava, trazia na mão direita erguida uma bíblia. A voz espalhava a culpa enquanto disseminava o evangelho da mediocridade.

    'Ah! O teatro dos oprimidos protagonizado pelos vigaristas de plantão!' Pensava semi-lúcido.
     A voz gritante no púlpito, anunciava a parúsia e exigia reparação com altos tributos para a salvação das pobres almas. O profeta de promessas vazias patrulhava com olhos famintos a multidão extasiada de presas fáceis, imediatamente envelopes eram distribuidos, e somas incalculáveis eram depositadas.

    'Figurões trapaceiros.' Dizia moribundo fechando lentamente os olhos, com a cabeça agora totalmente reclinada na velha poltrona.
    Cochilava semi-lúcido enquanto ainda pululavam em seus pensamentos algumas palavras:

     'No vazio da crise existencial...
    'O rebanho vencido canta a canção dos lobos...cultuam charlatães inventores de falsas doutrinas...
    'No vazio da crise existencial...habitam todo o tipo de superstições...
    'No solo fértil da alma adoecida...
    'Onde brota o pavor da morte e do inferno...bispos milionários constroem o seu paraíso...
    'Gente da pior espécie...
    'No vazio da crise existencial...

    Um torpor intenso se fez cair sobre o corpo do jovem rapaz, vencido pelo estresse e cansaço.


*                    *                    *   


     Tempo se passou, desde que a noite escureceu de vez os olhos de Artur. De repente, despertou assustado com a televisão desligada. A casa estava toda escura, e ele pensou que a eletricidade fora interrompida por um curto-circuito interno , ou, alguma coisa acontecera na rede de transmissão externa. Permaneceu sentado por alguns instantes, examinando qual das duas opções seria a pior.
    Segundos depois ele começou a ouvir um som agudo, parecia  um cilindro de alta pressão se despressurizando por uma fenda extremamente pequena. Uma corrente de eletricidade estática apareceu na tela do televisor, e cintilava intermitentemente. Enquanto pensava no que poderia ter causado o problema, a imagem assimétrica da tela se apagou abruptamente.

    Neste instante, sentiu um pouco de vertigem e ficou inquieto. Observou que no parapeito da janela, um pouco acima da persiana, um ponto de luz incomum piscava, enquanto alternava suas cores entre o vermelho e azul. Um calafrio percorreu seu corpo que ficou paralisado na poltrona, ele sentiu as pernas começarem a doer.
   Inesperadamente aconteceu uma coisa estranha; a pequena esfera luminosa explodiu num feixe de luz vermelha que partiu a escuridão da sala de um extremo a outro. Uma atmosfera tensa tomou conta do lugar, os sentidos de Artur ficaram alerta e ele estava apavorado tentando gritar mas não conseguia.

    A luz começou a ziguezaguear numa velocidade constante de um canto a outro da sala, passando por sobre sua cabeça, e ele acompanhava sua trajetória com os olhos arregalados de pavor.
    Tentava se mexer mas não conseguia, lembrou então de Júlia e do tio e começou a balbuciar alguma oração. Um barulho estranho e ensurdecedor ecoava nas paredes, e o medo se apossou de seu juízo, o beijo da morte parecia cortejar a face aterrorizada de Artur.

    Um brilho intenso e claro ia aumentando sua velocidade oscilando cada vez mais rápido e escaneava todo o lugar. Quando sua velocidade se tornou desmedida, ele parou de forma abrupta no ponto inicial de seu trajeto, na forma de uma pequena esfera latejante que pulsava sua luz.
    Artur não podia compreender o fenômeno, não num nível de consciência  que se depara com os limites dos sentidos. A esfera explodiu numa luz de néon intensa, deixando-o cego na mesma hora. E quando suas pupilas dilataram ele pode lentamente voltar a ver, e viu o que era incompreendido para sua mente objetiva e confusa.

    A cena era de um clarão que envolvia toda a sala, a luz já não incomodava mais os olhos da criatura que se achava inerte sepultada ali. De tão clara que era o seu brilho, sua luminosidade penetrava as paredes e os objetos da casa, tornando-os transparentes como se fossem feitos de vidro. As paredes eram como vitrines, expondo a forma nítida e clara daquilo que até então, era intransponível aos olhos. Dava para ver a garagem através da ampla porta de madeira. Fí, a gata siamêsa,  dormia tranquilamente sobre o teto do carro, e quando Artur levantou um dos braços vagarosamente, pode ver os ossos do metacarpo da mão como se olhasse através de um raio-x, e ficou chocado com o que estava vendo.

    O barulho agudo de antes voltou a zunir em seus ouvidos, só que desta vez mais alto. A temperatura subiu instantaneamente por um curto período de tempo, e depois caiu de repente.
    O zunido aumentou gradativamente até tornar-se insuportável, ele estava a beira de perder os sentidos, quando aconteceu uma coisa extraordinária: seus sentidos ficaram mais sensíveis, e ele podia ouvir o som das batidas do seu próprio coração. Um cheiro etílico forte sufocava Artur, e uma brisa fria percorria sua pele, embora estivesse  calor.

    Assim como as sensações surgiram, elas desapareceram repentinamente e houve uma pausa seguida de silencio. Depois uma vibração calma zunia nos ouvidos de Artur, que a essa altura, já não pensava em mais nada.
    Logo em seguida um nevoeiro de luz branca tomou conta da casa, e cobriu todo o lugar, um espirito numinoso tomou conta de sua alma,  e ele sentiu seu corpo ficar mais leve na poltrona da sala. O brilho fundiu-se a casa num branco tão intenso, que não se podia ver mais nada ali, e ele se sentia ainda mais leve.
    Um relampejo faiscou de dentro do nevoeiro anulando completamente a gravidade. Artur sentiu seu corpo flutuar da poltrona, e ser sugado para dentro do que parecia ser uma câmara de vácuo.
    A sensação era de haver uma ausência total de todas as percepções. Ele não sentia medo, nem dor, nem alegria e nem tristeza. Até sua localização espacial e temporal eram imprecisas, porque ele não possuía nenhuma substância ,apenas sua consciência estava alerta ali, naquele deserto vazio de sentidos.


*                    *                    *

    Passado algum tempo, não se podia precisar quanto tempo passou, uma ampla faixa de luz surgiu ao redor do espaço vazio e escuro. Não era uma redoma, mas sim uma faixa como uma parede de luz arredondada.



*encontre o conteúdo restante deste livro no link abaixo:


http://www.livrariacultura.com.br/busca?N=102281&Ntt=prel%C3%BAdio+entre+a+vida+e+os+sonhos

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O S

O B S E R V A D O R E S








    Bem longe, numa terra distante, para além das montanhas verdejantes que separam o povoado do norte, das ravinas e regatos, o ancião ponderava sentado junto a mesa, a dar com os cotovelos debruçado sobre um velho manuscrito, enquanto a penumbra afugentava a escassa luz da velha e rústica biblioteca.
    Ele levantou-se arquejante apoiado num velho bordão. O peso dos anos revelava-se no seu olhar pesaroso, nas barbas grisalhas, e seu olhar temeroso. Tateou vagarosamente cada livro , correndo as mãos pelas arestas das prateleiras ao longo do enorme corredor. O velho ancião, procurava desconsolado por algum documento em particular, queria aproveitar os últimos vestígios de raios de sol, que penetravam as altas janelas de frente para o corredor final. Contudo, a fuligem de carvão gerada pela queima de madeira do lado externo do recinto, criou uma nuvem densa de fumaça, que sabotou os vitrais da velha biblioteca.

    La fora, além do espesso muro que unia a esplanada ao antigo Mosteiro, alguns noviços da ordem trabalhavam incessantemente, ateando fogo a troncos e raízes de árvores de toda espécie. Com exceção do salgueiro, que era uma planta de importância peculiar, na vida monástica daquelas almas devotas.
   A produção de carvão, era fundamental para a provisão de energia para o Mosteiro. A antiga fortaleza construída naquele ermo vazio, cobria uma área de mais de quinze mil metros quadrados, e abrigava mais de trinta monges. Alguns eram leigos, que descobriram desde cedo a vocação para uma vida reclusa. Outros, foliões aventureiros que mal podiam distinguir a árvore da madeira, e sucumbiam ao novo estilo de vida. O velho Monastério era uma instituição auto-sustentável, mas, a certa altura, a cidade era indispensável. Pois, fazia-se necessário a aquisição de produtos que não poderiam ser manufaturados ali. A eletricidade era praticamente inacessível, porque o Mosteiro estava fora das raias urbanas.
    
    No alto do campanário, bem acima do portal de entrada do velho Mosteiro, ouve-se as batidas de um sino. Uma, duas, três...Um nevoeiro fino cai sobre a densa floresta temperada, enquanto o crepúsculo da tarde riscava no horizonte, um fio de luz vermelho azulado. A fumaça e o fogo se dissipavam com o nevoeiro e a brisa úmida, por fim, o dia também desaparece, cessa...não mais existe.
 A biblioteca era enorme, e preservava relíquias antigas como pinturas medievais que a história quase esqueceu. Ali também, guardavam-se registros de compra e venda de propriedades, entre outros assuntos administrativos do Clero. O ancião continuava a procurar aflito, pelo labirinto estreito de corredores, por entre calhamaços e papéis pálidos.
    Sob a luz diminuta de uma vela quase apagando nas mãos. Ele retirou do volumoso acervo enfileirado, um velho caderno de paginas surradas.
    -  Hum! Deixe me ver...
    Pensava só, o sacerdote, abrindo o manuscrito.
    Enquanto folheava as páginas do caderno, apoiado sobre o anteparo da janela, a medida que a chama da vela diminuía, a fumaça escura queimava os olhos do velho abade que a essa altura bocejava. Sondou os pensamentos, e julgou que o sono lhe roubara as forças que restaram, por fim... Então, logo depois, ouve-se o sussurro de uma voz solitária.
    -  Oxalá encontre o que veio aqui procurar Reverendo!
    O jovem monge atravessou a porta aberta do escuro recinto, enquanto o ancião fitava-o de olhos arregalados, tomado de susto e espanto. O noviço devolveu o olhar com reverência e, educadamente dirigiu as palavras: 
    -  Sua benção, Padre. Perdoe-me se eu o assustei, pensei que talvez fosse melhor acender as lamparinas.
    O jovem demonstrou grande preocupação, quando viu no rosto do ancião uma expressão intimidadora. Lembrou-se então, que o magistrado não gostava de ser interrompido quando estava na biblioteca. O velho protestou com uma resposta brusca, ordenando que o moço permanecesse calado.

    O jovem monge assim permaneceu, ali em pé, parado em frente a janela rebuscada, decorada com pinturas de anjos e mártires Cristãos. O corpo frágil, de rosto magro sob a túnica negra, fazia da escura e enorme sala, um lugar mais sombrio ainda do que já era antes. O ancião continuou a folhear o caderno por alguns instantes, em seguida fechou-o devolvendo às prateleiras empoeiradas.
    Depois, tomou o cajado nas mãos e, segurando a vela, caminhou na direção do monge que o aguardava. Só então, quebrou o silêncio depois de dar a benção costumeira, e seguiram direto para o refeitório.
    O sacerdote lembrava o noviço, como se recitasse um texto sagrado, da suma importância de tudo correr perfeitamente bem para a cerimônia do domingo próximo, que celebrava a missa dos lavradores.
    -  Não devemos esquecer filho, de que iniciaremos o coro com um Canto Gregoriano  -  disse o ancião de modo imperativo.
    -  Para isso, escolhi um belo hino de abertura, num velho hinário da biblioteca. E cuidarei para que alguns Copistas, cuidem de reproduzir algumas dezenas de cópias. Assim salvaguardamos a tradição da Ordem.
    O rapaz apertou levemente com as mãos, o escapulário pendurado no peito, hesitou um pouco, depois perguntou:
    -  Reverendo Mestre, não temos tecido suficiente para confeccionar trajes maiores, em caso de eventos públicos como esse.  -  O sacerdote fez uma ressalva.
    -  Escute isto meu jovem, um traje não faz um monge  -  respondeu de modo tolerante, o ancião.
    -  Contudo, este Mosteiro é um lugar sagrado construído para a adoração de Deus, e não de monges. Está claro, filho?

    O noviço ouviu com perplexidade, mas depois compreendeu o velho abade. No fundo, pensava, o Ancião tinha razão, apesar de ser um conservador religioso e pouco tolerante na maior parte do tempo. O velho referia-se aos costumes da tradição dos monges, em caso de adoração pública, substituir as vestes usadas dentro do mosteiro por uma túnica maior. O que não era prioridade, uma vez que o Monastério passava por precárias situações econômicas.
    Assim que deixaram a biblioteca, o aprendiz e seu tutor podiam contemplar mais adiante, além do claustro, onde jazia um oponente salgueiro que pendia seus ramos tristes no jardim, o enorme ateliê. Ali, outros monges se ocupavam em diferentes oficios: restauravam artefatos de madeira, confeccionavam imagens artísticas, ou teciam em teares manuais. Estes seriam depois vendidos para fora do Mosteiro, mas boa parte da produção, era para o consumo interno do prédio.
    Caminharam silenciosamente, rumo a missão piedosa de contemplar a última oração do dia. A sétima oração, encerrava mais um dia de devoção e trabalho coletivo, antes da ceia vespertina. O sino toca sete badaladas, todos reuniram-se e, de joelhos, voltaram-se para a Igreja do outro lado do jardim, que olhava majestosa para o refeitório. Um pouco atrás, encimado sobre o vasto balcão da cozinha, há um aviso que diz: "orai e trabalhai".*
   Em seguida todos se levantam, fazem o sinal da cruz e, em silêncio contemplativo, seguem para as mesas dispostas ao longo das paredes.


____________________***____________________



    Um dia revela outro dia em continua monotonia, o jovem noviço parou em frente à Igreja, Tinha à mão um regador de lata e uma pequena adaga, voltava da horta, onde lá trabalhava junto com outros iniciantes da Ordem. Vislumbrava a poucos metros da fachada da Igreja, centro sagrado do Mosteiro, duas grandes pilastras que se erguiam imponentes, como se abraçassem gloriosas as altas paredes da entrada do Templo. Ao centro, pouco abaixo do pórtico, a enorme porta arqueada partia-se em duas metades, convidando a todos a compartilharem o mistério e a adoração divina.
    Bem acima da coluna principal, duas pilastras pequenas e pinaculares , ostentavam ao meio uma enorme cruz de madeira, já apodrecida pela ação do tempo, para lembrar o Martírio de Cristo. Logo acima, no alto topo da velha cruz, canta um pássaro uma canção apaixonada por amor a amada, que jaz em algum lugar, esperando nas encostas da imensa mata, o cantor da floresta.
    O jovem encantado olha bruscamente para cima, e, com um gesto súbito e descuidado, espanta a bela ave que foge voando. Ganha os céus...desaparece. Ele aproximou-se da porta, uma esteira de palha estendia-se do lado de fora da soleira, logo abaixo do alpendre. Tirou as sandálias sujas de lama e, cautelosamente colocou sobre o chão batido, os apetrechos de trabalho que trazia nas mãos. Seguiu munido de curiosidade à extrema direita da parede, e apalpou as figuras de baixo relevo, eram muitas, estavam por toda parte, contornavam o cimo da porta terminando no extremo esquerdo da fachada.

    O noviço ponderava, enquanto contemplava as imagens e inscrições arcaicas. Ainda não tinha professado os primeiros votos, e as vezes sentia que os dias e noites eram intermináveis. As dúvidas assombravam a pobre alma do rapaz, que, procurava afugentá-las com orações e penitência.
    Voltou-se para as figuras; a última ceia. A primeira gravura mostrava Jesus e os apóstolos, o Mestre compartilhava o pão e o vinho, Judas ao lado de Jesus, "Judas"  -  pensava  -  pobre diabo. Profetas de tamanhas barbas, todos, e todos pareciam agitados sobre a mesa. Mas Jesus, ao contrario, permanecia sereno e calmo.
    Um pouco mais acima anunciava o nascimento de Jesus. Maria segurava no colo a criança, enquanto alguns Reis do Oriente presenteava o menino Salvador, seguidos de uma estrela cadente, que pairava sobre suas cabeças. Mais adiante, cenas do cativeiro babilônico, depois via-se a adversidade de jó e a genealogia dos Reis. Olhando para o meio, depois mais para baixo, no canto inferior esquerdo, via-se Josué, com resplendor da providência divina, abalar os muros de Jericó.

    O iniciado cortejava a rude pintura já desgastada, correndo as mãos sobre a camada saliente da imagem, eram as últimas gravuras. Uma delas lembrava Abraão, segurando o que parecia ser, objetos primitivos, enquanto a outra parecia ter entre as mãos, uma taça. Ele meneou a cabeça negativamente, sem entender.
    -  Melquisedeque  -  disse uma voz conhecida logo atrás do noviço que, imediatamente, foi tomado de espanto e sentiu-se desconfortável de estar ali.
    -  Reverendo Padre!!  -  solene e alegre, tão logo dirigiu-se com reverência ao sacerdote, que o abençoou sem formalidades.
    O aprendiz curioso, explicava que vinha da horta do Mosteiro, para buscar água na cisterna do jardim. Quando reparou nas belas figuras, não conteve a curiosidade de vê-las de perto. O ancião interrompeu, e fez sinal para que o jovem parasse de se explicar. Depois observou:
    -  Curiosidades compartilhadas, são conhecimentos divididos em partes, onde a parte de um, é a parte de todos.
    Aproximou-se do jovem monge, o ancião, direcionando o bastão para a enorme parede, sem desviar os olhos da fachada da Igreja, e pôs-se a explicar.
    -  Veja filho! Notei que você viu, e até tocou nestas pinturas.
    O velho deu uma pausa, e aproximou-se até tocar com a mão em uma das figuras, enquanto com a outra mão apoiava-se no cajado torto. Desta feita, comentou com o jovem , que a essa altura, espreitava o magistrado com certa desconfiança e admiração.

    -  Repare nesta imagem! A expressão de seu rosto...os gestos imperativos, ora contemplativos. As paredes parecem sussurrar...não!? O que me diz disso, hein?
    A pergunta pegou o noviço de surpresa, ele olhou para o ancião, depois voltou-se para as imagens. Ia dizer alguma coisa mas foi novamente interrompido.
    -  Você disse que não se conteve quando viu as "belas figuras", concordo que é verdade. Mas eu vejo mais do que belas figuras meu jovem, vejo mais de vinte séculos de histórias encerradas nesta parede.
    Respirando com certa dificuldade, o velho abade apontou para uma figura em particular.
    -  Aqui, por exemplo!  -  conjeturava que o aprendiz tinha dúvidas sobre a personagem em questão.
    -  É Abraão, ele entrega o dízimo à Melquisedeque, que, por sua vez, oferece pão e vinho e abençoa o Patriarca.
    Ele indicou para o jovem, a imagem do homem que segurava uma taça.
    -  Quem é Melquisedeque?  -  perguntou o rapaz quebrando o jejum do silêncio.
    -  Ninguém sabe,  -  respondeu um tanto embaraçado a pergunta  -  sem genealogia, nem pai nem mão, nem nascido nem morto. Sua história se perdeu nas brumas do tempo.

    Viu que o iniciado tinha perguntas, e não hesitou em permitir.
    -  Então isso explica porque Jesus compartilhou o pão e o vinho com seus discípulos. Isso já era uma tradição antiga entre os Israelitas.
    O Ancião ficou pensativo por alguns instantes, depois retomou a palavra.
    -  Talvez seja melhor começar pelo inicio filho, é inútil ficar balindo por ai palavras repetidas, sem saber o seu significado. Tem coisas que o machado não penetra, como por exemplo, a camada mais dura da cabeça de um tolo. Mas a palavra, está sim, traspassa para além da cabeça dos sábios.
    Voltou-se para a fachada do Igreja, onde jazia as primeiras gravuras. Então disse:
    -  Não se trata de tradição meu rapaz, nem sequer existiam tribos de Israel naqueles dias.
    Juntos, eles afastaram-se da parede à uma certa distância, de onde pudessem contemplar as imagens de uma só vez.
    -  Isso,  -  o velho abade sinalizou para o primeiro extrato  -  não é um dízimo da maneira como você entende. São espólios de guerra.
    O jovem ficou pálido com a afirmação de seu tutor, não podia imaginar Abraão, o Pai dos Patriarcas, envolvido em assuntos militares. Perguntou um pouco apreensivo:
    -  De onde viria?
    -  Voltava de Sodoma, de abater seus Reis, e saquear a Cidade.  -  Respondeu.
    O magistrado deu uma pausa, em seguida explicou para o noviço confuso, o contexto histórico no qual o Profeta vivia.

    -  Os Cananeus  -  dizia  -  eram adeptos de estranhos cultos, e perpetravam toda a sorte de crimes espirituais. O mundo andava de pernas para o ar, as divindades Cananeias tinham suas próprias jurisdições, e,  as pessoas empedernidas, tagarelavam com seus deuses que nada faziam por elas. Deuses esses, nem melhores, talvez não piores do que todos os outros.
    Durante sua passagem por Canaã, é provável que Abraão teve contato com as tradições locais, inclusive tinha conhecimento de EL, o deus supremo do panteão. Só bem mais tarde, o politeísmo Cananeu vai entrar em rota de colisão com os filhos de abraão, que professavam a fé num Deus único. Isso causou tamanha intriga de família, e estas velhas paredes dão testemunha do que eu estou dizendo.
    Novamente fez menção as figuras, desta vez, mostrou Josué, com a espada embainhada sobre as ruínas de Jericó.

    Um raio de luz rasgou as nuvens cinzentas logo acima do mosteiro, e refletiu sobre o cimo da porta, um pouco abaixo da coluna compreendida entre as pilastras. O ancião chamou a atenção do aprendiz para um dos caixilhos acima do pórtico, onde jazia quase oculto, uma das figuras mais emblemáticas da história.
    Perguntou para o inexperiente aluno, se ele reconhecia as imagens e, o que ela encerra no contexto de seu tempo.
    O jovem olhou minuciosamente para as figuras; um homem decrépito sentado trazia um semblante amargo e triste, ao seu lado três homens, todos pareciam falar ao mesmo tempo e, ao mesmo tempo, todos expressavam gestos altivos.
    -  Decerto que é Jó.  -  Respondeu de modo reticente.
    -  Seus amigos provavelmente censuram-no, pela falta que ocasionou na sua calamidade e desgraça.  -  Concluiu.
    O velho não ficou surpreso com a resposta. Por que ficaria? Sempre fora do mesmo jeito. As pessoas entravam e saiam do Mosteiro: noviciados, postulados, magistrados e por fim, tornavam-se professores, como seus antigos professores eram. Repetiam os mesmos discursos, dia após dia, ano após ano.
    Quem sabe  -  pensava o sacerdote  -  um dia, os cientistas e o clero, juntos, pudessem destramelar as janelas da história e permitirem um novo entendimento da natureza, da vida, e das palavras dos Profetas. Quem sabe!
    Fitou o sino do campanário, um dos monges próximo à galeria se dirigia para a torre. Cogitou que anunciaria a segunda oração matutina, então voltou-se novamente para a enorme fachada da Igreja e, com as mãos apoiadas sobre o velho bastão, disse de modo tranquilo:
    -  Você tem razão filho, é mesmo Jó. O pobre Jó! Ele súplica à Deus, para ser seu advogado diante de Deus. Pode imaginar uma situação dessas!?

    O noviço olhou para o ancião sem entender, depois tornou a olhar para a Igreja enquanto o abade falava.
    -  O destino de Jó  -  continuou  -  é o destino de toda a criatura humana, sem exceção.  -  Com leveza, afugentou algumas abelhas, provavelmente vinham das dependências do jardim.
    -  A desgraça de Jó  -  dizia ainda  -  são seus amigos equivocados, pensarem que os valores divinos são comparáveis com os medíocres valores humanos.
    Depois encarou seu interlocutor nos olhos, e disse rispidamente:
   -  Mas pode apostar meu bom jovem, a imagem de Deus não é compatível com a imagem do homem. Isso está longe de ser verdade.
    Alguns monges perambulavam por ali, uns liam, outros escreviam, vinham de todos os cantos do Mosteiro e convergiam para o pátio central. O futuro monge apertou o escapulário contra o peito, olhou para as paredes enrijecidas e artisticamente trabalhadas, então deduziu que o artesão talvez possuísse informações históricas sobre sua arte.

    Um dado curioso não passou despercebido pelo noviciado, era a correspondência de Abraão com Jesus. Ela conectava inicio, meio e fim, de uma vasta história naquela imensa cápsula do tempo. Não conteve a curiosidade e pôs-se a perguntar.
    -  Mestre, por que as figuras começam pelo Patriarca Hebreu, e encerram-se na pessoa de Jesus? E, por que, o pão e o vinho estão presentes em momentos tão distintos da história?
    Dirigiram-se para a galeria, e, por um tempo, caminharam em absoluto silêncio. O sacerdote deu de ombros, depois fez um comentário desinteressado acerca do assunto.
    -  Bem...o pão e o vinho,  tem um conceito simbólico em todas as vertentes religiosas Cristãs, nos dias atuais. Mas, no curso dos acontecimentos históricos, pareciam quase sempre anunciar uma tragédia: uma guerra, uma morte na cruz...não sei! Talvez o artista deliberadamente quisesse chamar a atenção. Se isso for verdade, ele conseguiu de fato.
    Absteve-se de falar, ouve-se uma pausa. Do alto do campanário da espaçosa entrada do Mosteiro, o reverberar do sino emitiu a ordem de penitência. O ancião e seu aprendiz, e todos que encontravam-se no pátio, voltaram-se para a Igreja, os joelhos dobrados sobre o chão áspero, a cabeça debruçado sobre o peito. O gesto humilde contemplava a segunda oração do dia...


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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A TRAGÉDIA DE FAUSTO

 FAUSTO - ( Johann Wolfgang Von Goethe - 1749-1832 )

RESENHA|RESUMO

Por Everaldo Ap Soares


Conta a história que Mefistófeles ( o diabo ) teve um certo dia com o Senhor ( Deus ) na assembléia dos Anjos. Deus pergunta á Mefistófeles: " como anda o mundo" á qual Mefistófeles responde : "quanto la vejo passa até de ruim".

O Senhor pergunta a Mefistófeles se tem visto fausto, seu 'Servo'.

Mefistófeles acusa Fausto de ser ambicioso e soberbo e que seria facil desencaminha-lo na vida.

O Senhor então permite que Mefistófeles 'tente' a Fausto com convicções de que Fausto não sederia ao diabo.
Mefistófeles se bajula de estar na presença de Deus, se despede das hostes angelicais e cai á terra para atormentar Fausto.

Está Fausto em sua casa debruçado sobre seus livros ao cabo de compreender todas as ciencias de seu tempo; filosofia, medicina,astrologia, teologia e outras tantas. Sendo um sábio acredita ele que está no "rol dos ignorantes" e longe do limiar do conhecimento absoluto das coisas do mundo.

Seus alunos e amigos o adimiram mais ele esta frustado e decepcionado. Pensa ser um impostor.Seu insáciavel desejo de conhecer os mistérios do que há na terra e acima no céu levam Fausto a estudar a magia.

Consulta Nostradamos, pratica encantamentos, evoca espiritos. Nada.

O que era distante ficara inalcançavel.

Se irrita.
Seu aluno Wagner o interrompe a noite, á porta, com um lampião na mão: " o mestre estava agora declamando não'stava ?", pergunta.

Conversam um pouco Wagner bajula o Mestre e sai.
 
É manhã. Fausto, só, deprimido e desconsertado já velho, é agora devoto de um fiel pensamento; quer dar cabo a sua vida.

Corre as prateleiras , entre calhamaços e folhas antigas, encontra um pequeno frasco de cristal que guardava um certo veneno.
Já com a taça de veneno nos labios Fausto escuta os sinos do campanario da velha igrejinha; passeatas, e coro de mulheres que cantavam. "passeantes de toda a casta". Era domingo de Pascoa.

Desiste do suicidio por um instante tomado de um estranho sentimento. De súbito seu amigo e discípulo Wagner entra em sua casa. Juntos saem seguindo o cortejo conversando.
 
Um velho camponês que passa mais outras senhoras vêem Dr Fausto; aclamações e elogios ao Doutor que lhes retribui com Carisma, "... é o oráculo das turbas...formam alas ao sabio...",

Wagner orgulha-se.

Fausto chama Wagner para subirem a encostae sentam numa pedra. Conversam até o crepusculo da tarde. Avistam um cão preto que se aproxima e julgam que o cão perdeu o dono. Fausto leva o cão pra casa e lhe da hospedaria em seu camarim.

O cão desassossegado perturba fausto que o repreende enquanto pega a biblia e senta junto a mesinha de canto. Abrindo- a no evangelho de São João lê: " No principio era o verbo...".

Não concorda e exclama.

O cão uiva.

Volta-se para o bicho: " não tolero um atrapalhador".

O cão se transforma em Mefistófeles, o próprio diabo.

Fausto fica horrorizado, " que horrenda diabrura hospedei eu em casa".

Pergunta á Mefistófeles quem é ele.

Que responde : " parte da força que, empenhada no mal , o bem promove ".
 
Depois de tomar conhecimento da natureza de Mefísto, trocam algumas desavenças e acusaçoes.
Fausto pede ao diabo que vá embora .
   
Mefistófeles não consegue sair da casa porque esta preso dentro de um pentagrama que a muito era usado por Fausto na aplicação da magia.

Mefistófeles evoca um bando de espiritos que enfeitiçam Fausto e fazem-no dormir um profundo sono. Dali Mefisto ordena uma ratazana á roer uma das pontas do pentagrama, bem "ali...onde o pé do diabo esbarrou".

Uma vez livre, vai-se embora.

Fausto acorda N'outro dia acreditando ter sonhado com um "demônio astuto...".Mefistófeles retorna a casa de Fausto e proponha a ele um pacto; que lhe serviria " em tudo" na terra em troca de sua alma.
 
Fausto acha desinteressante pois ja está velho e nada mais pode atraí-lo. È uma aposta perdida para Mefisto.
 
Mefistófeles convence o Doutor a assinar um pacto de sangue desde que o demônio ensine á Fausto todos os mistérios que o aflingem e consome e até que Fausto deite numa cama de preguiça " contente e em paz", dai pouco importa a ele o que o diabo farã com ele..

Apostam.

Combinados, papéis assinados, Fausto tem agora a "...nata dos serventes...". Está se trajando para sair num passeiocom Mefist´feles quando batem á porta.
 
Um" rapazola".

Vinha de longe ter com o Dr Fausto, o Mestre dos Mestres e O Sábio dos Sabios.

Mefistofeles pede que Fausto lhe de a batina de Doutor e se passa pelo mesmo. Diz pra Fausto estar pronto em um quarto de hora.
 
Mefisto atende o rapazola.
 
Pergunta ao rapaz o que deseja.

"...queria tornar-me sabichão...compreender a natureza e abarcar a ciência..." responde.
 
Minutos se passaram com Mefistófeles, pareciam horas para o rapazola que estava encantado com tamanha sabedoria. Pensava: "isto é que é mestre ...que achadão! " bati a porta certa.

De todas as ciências o rapaz queria aprender teologia. " E a teologia? ". Pergunta.
 
Mefistófeles: " Nesta ciência não é seguro pensar...há mil caminhos falsos..."pois, " com palavras arranja-se um sistema ".

Dispensado o rapaz, Mefisto volta-se para Fausto que " entrajado a fidalga "indaga; onde vamos?
 
Mefistófeles sugere levar Fausto a conhecer os dois extremos do mundo mais primeiro quer com o Doutor "... correr a sociedade..."começando pela plebe.
 
Chegam a uma taberna onde há muita festança e alguns beberrões que cantarolam poemas em rimas.Adentram a taberna pelos fundos.
 
Pelos trajes julgam os rapazes que os forasteiros recem chegados pertencem a alguma casta burguesa.

Continuam a cantar e conversar.Insultam-nos baixinho.

Mefistófeles e os beberrões entram num duelo de rimas e poesias.

 Desentendem-se.

Saem dali Fausto e Mefisto não antes de uma confusão promovida entre os poetas de plantão da taberna  e Mefistófeles.

Vão para uma caverna de feiticeira onde Fausto deve tomar a poção do rejuvenescimento e tornar-se jovem. Fausto ja jovem pega um espelho e vê a bela Helena. Ao voltar pra casa Fausto " já remoçado ", enamora Margarida que não lhe da atenção." Da lhe costa e sai".

Fausto pede ajuda de Mefistófolis par conquistar o coração da bela Margarida. Mefisto explica que não pode pois  Margarida acabara de voltar da igreja onde , no confesso o padreco acabara de absolver todos os pecados da mocimha.
 
Fausto insiste,

Mefistófeles garante que alguns presentes,jóias e brincos de ouro façam a bela mudar de idéia.

Deixam os presentes no quarto d'Ela, anonimamente, um cofre cheio de jóias.

Sem saber a procedencia nem o porque, a beata de sua mãe doa todo ouro pra santa igreja. O quanto de tudo trazia Mefisto á donzela, o padreco embolsava.

Reclama á fausto indignado o pobre diabo:"atabafou a pobre Margarida..."

Mefisto tem uma idéia pra aproximar o Doutor enamorado a jovem; usa Marta, sua vizinha e amiga.

Se passa de mensageiro, traz noticias do "espadinha", amor de Marta que , certamente se encontrava em batalha na cercanias. Diz que o pobre moço morreu e está enterrado em Pádua, aos pés de Santo Antonio e, pede encomenda á sua amada 300 missas pra garantir sua alma.

Marta desespera-se, Margarida conforta-a. Marta pede ao mensageiro ( Mefisto ) um documento que comprove como, quando e onde e, o paradeiro do tumulo do amado.

Mefistófoles assegura Marta que um par de testemunha perante o Juíz é de valor legitimo. Diz tambem que trará um figurão ( Fausto ) muito amigo do espadinha se a moça assim consentir.

" pois não ". Consente Marta.

Na opinião de mefisto é prudente que Margarida esteja presente pra conhecer o admirável figurão tambem muito amigo do mensageiro.

Margarida aceita, mesmo acanhada.

Fausto aceita mais desaprova o falso testemunho de jurar sobre a ossada do infeliz que descansa perene em terra benta.

" Santa simplicidade, o que é preciso, é jurar que se viu ". Afirma Mefistófeles.

" És, fostes e hás de ser sempre um mentiroso..." Conclui Fausto.

Se encontram a tardinha no quintal de Marta, Fausto e Mefisto, com Margarida ali tambem um pouco anciosa. Conversam entre si longas horas, Margarida se encanta com tamanho cavalheirismo e simpatia do amigo do mensageir

Saem a noitinha deixando as damas e vão-se.

Margarida e Fausto passam a se encontrar.Se apaixonam e mantem um caso em  sua casa depois de conseguir dopar a mãe com um poderoso sonífero preparado por Mefistófeles a pedido de Fausto.

Margarida engravida, revolta seu irmão Valentin que a acusa de ser uma mulher vulgar. Acerca Fausto e o desafia para um duelo de vida ou morte. Fausto aceita.
 
Com a ajuda de Mefisto Fausto assassina Valentim que morre agonizando nos braços da irmã.

Margarida enlouquece e é presa acusada de ter matado a mãe envenenada ( com a poção magica no chá ) e ter afogado seu filho num lago.
 
Fausto tenta resgatá-la da prisão, ela se recusa está delirando e já não acredita mais n'Ele.Insiste ele. Ela prefere morrer no carcere.

O tempo está acabando, Mefisto apressa Fausto a correr contra o tempo de seu feitiço que entorpeceu os sentinelas da prisão. Nada. Fausto prefere ficar ali com Margarida encarcerado.

 
È manha. Vem os guardas.
 
Mefistófeles surge sob o piso tosco da sela onde estão o casal como um fantasma aos olhos da mocinha já delirante.e pede a Fausto que tome um decisão.

Não sairá sem ela. Reluta Fausto

Ela se assusta com o que vê, reza e pede aos anjos que acolha a sua alma.
 
Mefistófeles intervem.
 
" Sentenciada ".
 
Os anjos.
    
" Salva ".
 
Mefistófeles apossa-se de Fausto levando-o consigo.
 
" És meu ".


 everaldo.uni@gmail.com

 

 



 

 



 


 

 

 

 

 


 






sábado, 17 de maio de 2014

A MÌDIA É O ÓPIO

Por Everaldo A Soares



Tudo está fora de lugar........



As escolas estão emburrecendo 
nossos alunos

Os hospitais estão acabando com a 
nossa saúde

As religiões estão destruindo 
nossas esperança

A justiça está contraria a 
nossa constituição

Os assassinos estão livres 
nas ruas

As pessoas estão presas em 
suas casas

Quem lucra da 
nossa ignorância
se beneficia

A mìdia é o Òpio ..........Panis et circenes 


everaldo.uni@gmail.com





sábado, 29 de março de 2014

RAUL EXPLICA - UM SOM PARA LAIO

Por Everaldo Ap Soares


UM SOM PARA LAIO
Raul Seixas


Na minha cabeça
Uma guitarra toca sem parar
Trago um par de fones nos ouvidos
Pra não lhe escutar


O que você tem pra dizer
Ouvi a cem anos atrás


O que eu faço agora
Você não sabe mais


Hey man! hey man!
Uou man! uoo man!
Crazy man! crazy man!
Yeah!


I'm all right !

Esboço de analise da musica
È muito comum na platéia de fãs de Raul imcompreender aquele tom de obscuridade na maioria de suas canções.
A profundidade de seus temas é mesmo um tanto complexo somado ao ocultismo que era muito comum na literatura do cantor.
Filosofia, politica, religião e piscologia sintetizavam a obra do polemico musico, que, nos Idos de 60 e 70, " caminhando e cantando " na contra-mão de um fundamentalismo politico, perdeu a voz.
O tema 'ocultismo' como mencionei aqui  é bem verdade que tambem era mal compreendido em seu tempo e até os dias de hoje, ainda com toda copiosa literatura a respeito dos assuntos de sociedades secretas, da qual o próprio Raul era um iniciado.
Mais vamos a canção
UM SOM PARA LAIO
Como dito a piscologia era um topico importante para a construção de idéias e símbolos de que Raul se utilizava.
A musica em Si hoje não tem tanta importancia como nos dias em que foi escrita ( como metáfora )
para aquela geração especifica e seus dias de opressão, histeria e, por assim dizer; dias de neurose.
E é exatamente dessa 'neurose coletiva' que raul faz um canção para Laio.
Ora! mais quem era Laio?
Pra entender melhor é preciso voltar no tempo, " cem anos atraz " nos dias de Freud.
Freud foi um dos fundadores da piscanalise que viveu entre os séculos XIX e XX, Ele estudou profundamente a neurose e suas origens, e cunhou pela primeira vez o termo 'Complexo de Édipo'.
Mais quem era Édipo?
Era filho de Laio.
Foi assim invocando o mito Grego do rei Édipo a milénios atras, que Freud apoiara as bases de sua teoria a respeito das causas neuróticas dos individuos e consequencias sociais ligadas a ela.
Não vamos extender o assunto do complexo, mais pra simplificar ( e essa parte do mito não tem nada a ver com a musica ) trata do interesse libidinoso do filho pela mão e \ ou da filha pelo pai. Isso ocorre segundo Freud antes da maturidade sexual, ou seja, antes de os 5 anos de idade da criança.

O COMPLEXO E A METÁFORA
Segundo a lenda Édipo ao nascer foi levado pelo pai, 'Laio', para consultar o Oráculo de 'Delfos' sobre o futuro do menino.
O oráculo profetizou que seu filho Èdipo o mataria e desposaria sua mãe a esposa de Laio.
Apavorado com a previsão do oráculo,Laio abandona o menino ao relento que mais tarde cresce em uma outra familia. Sabio e virtuoso o jovem Èdipo se torna guerreiro e num levante a caminho de Tebas assassina o próprio pai, uma vez que não o conhecia. Torna-se rei de Tebas e casa com a bela Jocasta.
Mais tarde ao descobrir que Jocasta era sua Mãe e que matara o pai ( como previra o Oráculo ), em uma bataha, o rei entra numa crise Neurótica. Jocasta, sua mãe, se suicida e o rei Èdipo seu filho fica totalmente complexado. ( dai complexo de édipo ).
Esse mito grego é pra falar da trajédia humana nos dias em que viviam. Crimes, traições maldição e corrupção. enfim uma sociedade com um destino amaldiçoado.
Foi fazendo essa paródia que Raul encontrou um jeito de dizer em seus dias: nada mudou desde os gregos. Ainda somos assassinados ,traidos amaldiçoados e corrompidos pela imposição.
Só pra pontuar aqui a expressão da "neurose' em que viviam os Brasileiros naqueles dias difíceis numa das frase da canção:
" na minha cabeça uma guitarra toca sem parar "









segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

ERAM OS ANUNNAKS DEUSES DA ANTIGUIDADE ???

Por Everaldo A Soares



A historia que eu pretendo resumir neste post está anos-luz de ser verdade, mas é digna de investigação acurada para aqueles que estão equivocados com a compreensão e natureza de nossas crenças e culturas.

Entre os que se dedicam a tentar explicar o inexplicável, a Arqueologia vai na vanguarda das Ciências e a muito vem jogando Luz num remoto e obscuro passado do planeta.

Tiamat, Gaia, Urântia ou seja lá qual foi o apelido da mãe Terra nos ultimos Milêninos, ela sempre foi Arena de batalhas e palco para discussões controvertidas sobre o passado da humanidade. Uma antiga biblioteca foi descoberta no Iraque - antiga Mesopotâmia - datando da época do Rei Assurbanípal na cidade de Nínive, contendo milhares de Tabletes de argila com Escritas cuneiformes. 

Oriundo dos antigo Sumérios esses registros contam uma história que colocou de cabeça pra baixo a filosofia Ortodoxa de antropologos, teólogos e cientistas  das mais diversas areas de estudo. Esses registros em tabletes contam a história dos Anunnaks, uma suposta raça Alienigena que teria chegado a terra a aproximadamente 445000 anos atras e foram, segundo textos Sumérios, os progenitores da raça humana.

Esses visitantes teriam saído de seu planeta natal - NIBIRU - e viajado para a terra com um propósito unico: a exploração de Ouro.

Contava a história que seu Planeta Nibiru estava com a atmosfera comprometida e para salva-lo, viajaram pelo Sistema solar em busca do minério precioso, que pouco ou quase nada encontrara em Nibiru, esse minério era sem dúvida o remédio que poderia suturar as feridas daquele planeta.

Nos confins da via Láctea está Nibiru, um gigante celeste quatro vezes maior do que a terra, diz a lenda, orbita o Sol numa elíptica alongada cobrindo um periodo de 3600 anos por ciclo orbital. Este é o Planeta dos ANUNNAKS.  Diz o Mito Sumeriano que ALALU Ex- soberano da Realeza de NIbiru , se exilou no planeta terra depois de deposto da monarquia por ANU - pai de ENK  e ENLIL - sendo esses tambem herdeiros do Trono. Enlil e Enk eram meio-irmão do mesmo pai mais de mães diferentes, Enk era o primogêmito de Anu com uma concubina enquanto Seu meio- irmão Enlil, era filho legitimo da esposa oficial do Rei. Essas ambiguidades discutiremos mais tarde aqui nesse artigo.

N O    P R I N C I P I O

Depois de conseguir atravessar o cinturão de asteróides entre Júpter e Marte, Utilizando sua "Armas de Terror ( arma nuclear ) O aventureiro do espaço ALALU cortejara a Terra e seu satélite ( Lua ) por longo periodo de dentro, do que se pode dizer, seu artefato  ( ou uma nave ) espacial.
Ele analisou a composição química da atmosfera terrestre, a combinação dos gases e viu que tudo, desde a agua, era compativel com a vida em seu planeta Nibiru.

Alalu depois de amerrisar nos oceanos da terra, pois a agua era o elemento mais abundante na natureza, fez morada nos pantanos. Dai mais tarde migrara para a Mesopotâmia, nas cabeceiras dos Rios Tigres e Eufrates no antigo Oriente   Médio no " Lar da lonjura " ou Eridu - como viria ser conhecida mais tarde a primeira capital Anunnak.

Alguns experimentos foram necessarios antes de validar o ambicioso empreendimento, pois Alalu agora tinha Planos, se ele estivesse certo e a Terra tivesse o remédio que poria fim a enfermidade de Nibiru, sua empreitada não fora em vão de fato.
"Ouro !!.ouro..." enfim  ouro como nunca visto antes em Nibiru. Alalu sorria desconcertante, depois de ter feito meticulosamente reconhecimento em varios rincões do planeta, ele comunica a Nibiru suas descobertas e anuncia a relevancia de uma colonização de maxima urgencia. E assim, houve acordos, anistias e finalmente a primeira expedição Anunnak  sob o comando de Enk ao planeta terra.

E X P E D I Ç Ã O   D E    E N K

Aproximadamente a 440 mil anos os Anunnaks aterrizaram na Terra liderados por Enk, filho do soberano "Anu", de Nibiru. O objetivo da missão era coletar a maxima quantidade possivel de ouro e enviar para Nibiru, para ser processado e lançado na atmosfera com propósitos vitais, pois o ouro se tornara uma questão de  vida ou morte para os Nibiruanos.

Assim que se adaptaram á terra e seu periodo orbital ao redor do Sol, os Anunnaks fundaram a primeira cidade-sede - ERIDU -  em seguida uma estação em Marte e depois na Lua.
Passados 200 mil anos terrestres os colonizadores se amotinaram nas minas, revoltados com a brutal mão de obra esgotados com o calor e outras interpéries, cansados eles se queixaram a Enk, seu Lider, o qual teve a idéia do uso de engenharia genética nos hominídeos bípedes que já existiam na terra. Depois de inúmeras tentativas e fracassos, nasce o primeiro trabalhador primitivo ( homo-sapien ) com a ajuda de sua companheira e tambem cientista, Enk cria o primeiro híbrido; ADAMU, chamara o novo Ser estéril.

Como os MITOS Anunnaks são extensos e suas lendas faz sincretismos com mitos Egipcios e Babilônios, sugiro algumas pontes para atravessar a história sem prejudicar o seu contexto original.

C O N F L I T O S   N A   C O M U N I D A D E   A N U N N A K

Milênios se passaram na Terra até que se instalasse a aristocracia Anunnak no Planeta. De fato, a demanda do ouro com o tempo criou uma estrutura hierarquizada onde o conflito e a anarquia Reinava soberana em varias comunas coloniais.

Mesmo muito antes dos Anunnaks concederem a civilização a raça humana, no decurso dos seus negócios terrestres somado as gerações descendentes que nasceram na Terra, o contingente de colonos obrigou a nova sociedade Anunnak a se organizar amparados nos moldes politicos de Nibiru, seu Planeta de origem. Assim foi adotada para a realeza a politica da sucessão pela linhagem sanguinia direta, ou seja, a liderança passara sempre para o filho do Rei ou principe com sua consorte oficial.

Enk era primogênito de Anu, soberano de Nibiru, era pai de MARDUK e  NINGISHZIDDA - estes mais tardes viriam ser conhecidos pelos Egpicios de Rã  e Thot. Enk foi comandante do primeiro grupo de Anunnaks que chegaram a terra - depois do exilio de Alalu - ele tambem tinha suas desavenças e rivalidades com seu meio-irmão Enlil. Em geral, os Anunnak desde que aterrizaram na terra, sempre foram rivais nas sua longas dinastias.

Apesar de ser o primogênito de Anu, Enk não era o herdeiro legal da "Coroa" em NIBIRU. Seu meio-irmão Enlil possuia vantagens sobre Ele devido as leis sucessórias, pois Ele era filho do seu pai Anu com sua esposa oficial. Esses conflitos seguiram adiante e foram, por assim dizer, transmitidos para os netos e bisnetos de Enk e enlil, principalmente entre os nascidos na Terra.

S U M É R I A   N A S C E   U M A    C I V I L I  Z A Ç Ã O

Hoje, o que conhecemos por Iraque, foi a muito pertencia a antiga mesopotâmia, terra de deuses e homens que compartilharam e lutaram pelos mesmos interesses dos homens contemporâneos; poder e centralização de negócios. Foi muito mais tarde ali naquelas estepes do Oriente que a Suméria emergiu como o berço da civilização humana.

Num passado remoto, lendas e fatos se entrelaçam no sofisticado, enigmático e repentino avanço da civilização Sumeriana. A escrita cuneiforme ( primeira escrita de que se tem registros na história da humanidade ) a estruturação social, o dominio da agricultura a fabricação de cerâmica e composição de Leis civis e Penais,  sendo muitas delas utilizada até os dias atuais. E principalmente o acervo preciso e frustante - para muitos cientistas -  de seus conhecimentos Astronômicos.

Os Sumérios contavam  com uma lista de Reis ante-diluviano aos quais transcreverei em seguida. Para Eles a Realeza desceu do céu, por isso era digno de preservar esses nomes num registro de forma a eternizar seu legado. Esses nomes foram documentados em tabletes de argila, o que tornariam tais "apólices" uma verdadeira cápsula do tempo guardadas ás gerações futuras. Eram Eles:
Alulim
Alagar
En-men-luiana - de Batibira
En-men-gal-ana
Dumuzi
En-sipad-sid-ana - Larak
En-men-dur-ana - de Sippar
Uban
Tutukin - de Shuruppak
Sukurlan e Ziuzudra

Este ultimo foi o Noé Sumeriano que governou por 36 mil anos até o Dilúvio.
Depois que o dilúvio absorveu e devastou a terra, os Anunnaks teriam concedido a civilização a partir de Ziuzudra  através do culto. Segundo textos Sumérios, o dilúvio aconteceu aproximadamente a 27 mil anos AC - primeira dinastia de UR até 2500 AC.

Após o diluvio a Realeza passou a Kish. depois mais 22 sucessões vem Uruk - diz a lenda, o herói Gilgamesh consta na lista de Reis de Uruk. Passado a dinastia de Uruk, Chegamos finalmente sob  os dominios de UR.
A primeira dinastia de Ur vai até 2500 AC.
Os primeiros reinados ante-diluviano - no caso Alulim - primeira Realeza, duravam extensos periodos de séculos de administração e manutenção do Império, quando se chega no Reinado de Adab, da era pós diluviana, os tempos de reinados vem decaindo resumindo se a apenas algumas poucas décadas de trono.
foram ao todo 11 cidades ao todo que a monarquia esteve em exercicio pós diluvio marcando 134 Reis e cobrindo um periodo de 28 mil anos  de Reinado.

U R   D O S   C A L D E U S

Nos idos dos tempos neoliticos, os Sumérios partiram do Irã para a antiga Caldéia. Então por volta de 3000 AC contruiram 12 cidades- estados, uma delas , era UR, terra natal do pai dos Patriarcas -  Abraão.
Cada uma dessas cidades tinha sua própria divindade e rituais particulares de cada tribo ou comunidade.

A Suméria influenciou a cultura de toda a Mesopotâmia até a dinastia de Agade, em 2300 AC instituida por Sargão I, que tinha raizes nas linguas "Semiticas". A partir de 2000 AC, a Suméria foi gradativamente desaparecendo com a expansão dos Impérios Assírios e Babilônios.
è importante lembrar que os Egpicios assimilaram culturas estrangeiras vindos dos sumérios e outros povos, assim bem como os babilônios - por exemplo: Thot e Rã eram deuses Egpicos, esteriótipos de Marduk e Ningishzidda, divindades sumerianas e, sendo o primeiro ( Marduk ) tambem citado na Biblia Hebraica no velho testamento.

Tudo isso aconteceu providos de acontecimentos de tempos remotos, Quando Enk e Enlil, nas disputas dos jogos de sucessões, Eles provavelmente escolheram "Iniciados"  e ensinaram "segredo dos deuses" para que fossem transmitido a sucessivas gerações de Sacerdotes e Reis daquela linhagem em particular. Foi a iniciação de tais segredos que marca o inicio do Sacerdócio e os direitos legais para a linhagem de Reis por laços sanguineos e pela lei da semente, segundo decreto do próprio estatuto Anunnak.

Lembrando aqui um detalhe importante na sociedade Judaica dos Tempos de Jesus; apesar dos Judeus estarem divididos em varios segmentos da comunidade por exemplo existiam os Zelotes, Essenios, Fariseus e Saduceus, eles eram unidos por laços de sangue pelas tribos de Jacó. Mais o direito ao Sacerdócio era dos Saduceus por sucessão de linhagem sanguinea. Não foi atoa que Anás depois de deposto por Roma, tenha transferido a realeza e a administração do Templo a Caifás, o novo Sumo- sacerdote legitimo por sucessão e genro de Anás. Os Fariseus e Saduceus eram ardentes rivais, pois os Fariseus acusavam os Saduceus de terem usurpado a linhagem de Arão, irmão do profeta Moisés. Parece que depois da destruição do Templo de Salomão em 70 DC, as diferenças acabaram com a diáspora  ( dispersão ) das tribos Judaicas pelo mundo.

E N K    C O N V O C A    E N D U B S A R

Palavras de Endubsar Sacerdote do deus Enk

" E me levaram velozmente entre a terra e o céu, pude ver a terra e as aguas... e me deixaram na ilha...na morada do grande deus...um resplendor me envolveu e me afligiu...e cai no chão vazio do espirito da vida. Eu estava num recinto de escriba...e a voz voltou a falar dizendo:' Endubsar filho da cidade de Eridu, meu fiel servo, sou seu senhor Enk. Lhe convoquei para que registre minhas palavras...o futuro julgará, pois ao final dos dias, um dia de julgamento haverá...durante 40 dias e 40 noites eu falarei e voce escreverá, 40 será a conta de seu trabalho aqui, pois 40 é o meu numero sagrado. Durante 40 dias e 40 noites não comerás nem beberás...

O   F I M   D A    C I V I L I Z A Ç Ã O   S U M É R I A  -  O   D E C R E T O   E   A   L E I   D A   S E M E N T E

Era direito legítimo entre os Pontífices Anunnak ter uma esposa oficial e, uma ou mais concubinas, dependendo do acordo matrimonial. Por decreto o filho primogênito era o sucessor de seu pai.
Foram essas leis a causa de infindaveis conflitos na Realeza, quando o primogênito não era o filho da esposa legitima.
Aqui cabe uma observação importante. È bastante provavel que Abraão, que migrara de UR para a Palestina, tenha tido contato com costumes Caldeus e transmitidos as suas futuras gerações. O que não passa despercebido, pois logo no inicio do pentateuco Bíblico, fica explicito o epsódio do qual Sara e Agar teve desavenças depois do nascimento do Principe Isaac, futuro membro legal da familia.
Ora! era plausivel pela lei da sucessão que o filho da promessa, tinha de ser nascido da esposa oficial do Patriarca Hebraico. Neste caso, Ismael mesmo sendo o primogênito de Abraão era filho de uma Concubina, isso anula totalmente o direito a coroa e o Sacerdócio.
Mais não para por ai, conflitos de sucessões dentro da realeza não é um privilégio Anunnak. Existem um acervo de extensos assuntos acerca da politica do Sacerdócio, em antigos textos Judaicos. Após o caso Isaac e Ismael, filhos de Abraão com mães diferentes, assim tambem foi com Jacó e Esaú, filhos de Rebeca com o Patriarca Isaac, após o controvertido nascimento dos gêmeos estes reviveram as rivalidades da primogenitude.

Segundo consta nos registros Hebraicos, Jacó Usurpou Esaú desde o ventre da  mãe fazendo com que Rebeca, varias vezes, se queixasse a Javé. Depois de adulto, Jacó trapaceia outra vez convencendo o irmão a vender-lhe a sua primogenitude em troca de uma sopa de lentilha ( ver Gênesis ), depois mais uma vez, rouba a benção de Esaú quando o velho Isaac ja está quase impossibilitado de enxergar.
Epsódios de natureza corruptível nas raizes Judaicas inlamou a íra de Àrabes e Judeus no decurso da sua história, criando segregação e tirania que perdura até os dias atuais no Oriente médio. ( ver conflito entre Israel e Palestinos )
Muitos das historias e mitos Gregos, babilonios, Egipcios até mesmo Hebraicos as vezes se fundem num unico sincretismo. Mesmo que sejam coincidencias é digna de atenção e não deveriam ser tratados como uma aboninação literária. Quero encerrar este tema com uma nota de observação:
Livro de Enoc o sexto depois de  Adão. Enoc foi pai de Matusalém, que foi pai de Lameque, que foi pai de Noé.

Enoc cap 12-4: " E eis que as Sentinelas chamaram-me, Enoque o escriba, "
Cap 14-10: "Eles me elevaram no alto ao céu" ...12 e aproximei-me de uma espaçosa habitação...16 seus pisos eram de fogo...17 examinei-a atentamente e vi que tinha um trono exaltado...21 alguem grande em glória assentava-sa sobre ele...24 então o senhor com sua propria boca chamou-me...
Cap 15-1; " Tu escriba da retidão aproxima-te..."
Cap 105-1:" Depois de um tempo meu filho Matusalém tomou uma esposa para seu filho Lameque. Ela ficou gravida, e deus a luz um filho, a carne do qual era tão branca quanto a neve....cujos olhos eram belos...Lameque, seu pai, ficou com medo dele...eu gerei um filho diferente dos outros filhos. Ele não é humano... Ele parece como se não pertencesse a Mim, mas aos Anjos."
Palavras de Lameque, filho de matusalém, filho de Enoc.

NUMERO 40

O numero 40 tem muito significado tanto para o Judaismo como para os Cristãos. Moisés peregrinou 40 anos pelo deserto com os Israelitas, tambem subiu ao Sinai e lá permaneceu por 40 dias- sem comida nem bebida- até que Deus lhe entregasse determinadas instruções junto com os respectivos mandamentos.
Elias depois de comer e beber, viajou por 40 dias até o monte sagrado - sem comida e sem bebida- até horebe o monte de Deus.
Jesus jejuou por 40 dias e 40 noites no deserto. Tambem não comeu nem bebeu. Varias são as passagens onde 40 é um numero de profundo significado na fé hebraico desde nossos ancestrais até nossos contemporaneos.

sábado, 4 de junho de 2011

CACHORRO URUBU

Por Everaldo A Soares


CACHORRO URUBU

"Baiby o que houve na "trança" vai
mudar nossa dança
sempre a mesma
batalha".......................( Raul Seixas: Cachorro Urubu )


Salve Raul, a palavra "trança" destacada na estrofe da musica, na
verdade quer dizer "frança." O cantor fazia um apelo camuflado ao pacato cidadão brasileiro, que
atentassem para os franceses que não aceitavam regimes totalitários no País, e em 1968 se rebelaram
contra o governo numa guerra revolucionaria na luta por liberdade e justiça.
Na época a ditadura militar no Brasil não permitia tal arbitrio.

"Baiby isso só vai
dar certo
se voce
ficar perto
eu sou um indio Sioux
eu sou um cachorro urubu
em guera com  ZEU.............................( Raul Seixas: Cachorro Urubu )

A civilização "Sioux" ou Dackota, mais conhecida por esse nome, foi uma raça de indios que viveram no nordeste da América do norte nos dias coloniais. AEles se dividiam em tres grandes tribos: Os tétons, yancktons e santees, tinham os Crow como inimigos e eram tribos guereiras.

Ao resistirem as investidas dos colonizadores ingleses, os Sioux colocaram um ponto final na história do seu povo. Hoje são poucos os conterraneos Sioux que vivem ao sul de Dackota nos EUA, outros estão espalhados noutras regiões.

Pegando o bonde da história "Sioux", Raul fazz um paralelo com a frase: "Eu sou um indio Sioux em guerra com ZEU."

Ele usara tal expressão subliminar para dar idéia de que tambem resistia as investidas da ditadura. Quando ele dizia   "Em guerra com ZEU" é bem provavel que ele se referia aos "EUA", pois se retirarmos a letra "Z" da palavra ZEU, a mensagem fica asssim: " Em guerra com EU " ( Estados Unidos ).

Segue abaixo a metáfora completa de Raulzito

Cachorro urubu ( Raul Seixas )

Baby, essa estrada
é comprida
Ela não tem saída
É hora de acordar
Pra ver o galo cantar
Pro mundo inteiro escutar

Baby a estória é a mesma
Aprendi na quaresma
Depois do carnaval
A carne é algo mortal
Com multa de avançar sinal
Todo jornal que eu leio
Me diz que a gente já era
Que já não é mais primavera
Oh baby, oh ba...by
A gente ainda nem começou

Baby o que houve na trançaVai mudar nossa dança
Sempre a mesma batalha
Por um cigarro de palha
Navio de cruzar deserto
Todo jornal que eu leio
Me diz que a gente já era
Que já não é mais primavera
Oh, baby, oh baby
A gente ainda nem começou

Baby isso só vai dar certo
Se você ficar perto
Eu sou índio Sioux
Eu sou cachorro urubu
Em guerra com ZEU
 
 

domingo, 24 de abril de 2011

A ORDEM DOS TEMPLARIOS E OS POBRES CAVALEIROS DE CRISTO

Por Everaldo A Soares


** A ORDEM DOS TEMPLARIOS E OS POBRES CAVALEIROS  ___________________ 


Criada por volta do ano 1119 DC da nossa ERA, a Ordem tinha como objetivo principal proteger a terra santa e suas rotas de peregrinação. Depois de recuperada do domínio muçulmano no inicio do século XII, o rei de Jerusalém Balduino I colocara em pauta um dos principais problemas que assolavam aqueles dias; a sorte de desgraça dos peregrinos que visitavam a  cidade e terminavam desiludidos por causa da ascensão de vândalos e ladrões.

Por causa dos registros concisos da história dos Templários, pouco se sabe sobre a veracidade dos fatos acerca dos pobres cavaleiros, que vai do inicio do século XII e perdura com a Ordem "legitima" até o inicio do século XIV. Do que se sabe sobre a continuidade da Ordem que ultrapassa esse periodo, são especulações de sociedades secretas que, á sombra das ruinas deixadas pelo seu ultimo grão-mestre; Jacques de Molay, emergem como cavaleiros ilegítimos, pois os verdadeiros Templários faziam voto de pobreza e castidade, nada tendo em comum com a nova ordem cercada de obscuridade e mistérios.

Segundo a lenda, a Ordem dos pobres cavaleiros de Cristo caminhava lenta mais digna de crédito sob comando do nobre Hugo de Payens, o primeiro grão-mestre da Ordem dos cavaleiros Templários na hist´ria. Foi dele a idéia de unir monge e cavaleiro para que assim, a milicia de Cristo ( como eram conhecidos ),  recebessem o reconhecimento Eclesiástico no ocidente e lá pudessem difundir suas metas.
Em 1129 é criado um estatuto para definir qual seria o modelo da Ordem, um dos feitos importantes foi o reconhecimento formal da combinação de monge e cavaleiro pelas autoridades da igreja.

Cavalgando nas décadas seguintes e, depois de muitas cruzadas, os Templários fariam histórias que perpetuariam os séculos vindouros e seriam merecedores de confiança de reis por toda a Europa medieval.
As autoridades  Eclesiásicas não fez exessão em apoiar a milicia de Cristo por muitos anos, e varios "papados" incluindo nomes como: Papa honório II, Inocêncio II, Eugênio III entre outros, foram testemunha ocular da ascensão dos nobres cavaleiros.

Mais só foi no inicio do século XIV que os pilares da Ordem ruiram, quando a organização findava com seu ultimo grão-mestre Jacques de Molay praguejando contra o papa clemente V e o rei Filipe da França enquanto queimava na fogueira da santa inquisição.

Desde a primeira viagem de Hugo Payens ao ocidente, a ordem vinha recebendo doações de reis, latifundiarios e pecuaristas da época. Até as ultimas cruzadas, nos dias de Molay, a ordem já possuia incontaveis tesouros, propriedades e criações em todos os rincões da Europa e Oriente. Eles criaram instituições com cartas de crédito nos moldes bancários atuais, entre outros serviços de finança que favoreciam principalmente a nobreza que tinham medo de viajar transportando quantias em dinheiro.

Assim, como era de se esperar, com isso mais tarde veio o colápso da ordem. Os valores materias sobrepujaram os valores morais, os pobres cavaleiros já não eram tão pobres e muitos até se esqueceram do propósito original da Ordem: proteger os peregrinos a caminho da terra santa.
Haviam rumores de que membros da organização se tornara soberbos, outros ficaram orgulhosos e alguns começaram até a burlar o voto de castidade  que outrora fizera.

De um lado havia um clima plangente daqueles que queriam mudar o rumo da irmandade corrompida, de outro, conflitos internos entre cavaleiros, pora a opinião pública em alerta. Não demorou muito, a Ordem mostrara o calcanhar de aquíles para os poderosos que viam na queda da Ordem uma fonte inesgotável de riqueza.
Cobiçando o suposto tesouro que os Templários haviam acumulado em décadas, o então rei Filipe IV da França se reune ao papa Clemente V e influencia a este que a Ordem estária corrompida por blasfêmia e heresia.
Mesmo contrariado o papa consente o processo contra os cavaleiros e, naquele mesmo ano todos os cavaleiros foram convocados a comparecer perante o rei e confessar seus crimes e quebra de votos.

Muitos Templários fugiram com medo de tortura e outras agressões, o rei Filipe espalhou a má fama dos pobres cavaleiros por todo o continente e decretou que eles fossem submetidos a jurisdição local para um interrogatório. Mais nem todos os dignitários eram inimigos da Ordem e, talvez por isso muitos tenham sobrevivido a condenação que levou ao fim dos monges cavaleiros.
Eles foram acusados de homoxessualismo e de prestar culto a ídolos pagãos entre outros delitos dentro da comunidade.

Eles teriam de confessar publicamente durante o capítulo para os membros presentes e, depois receber o castigo. Como estavam todos sob pressão e tortura, não foi difícil para o conselho ouvir confissões inverossímeis. Depois de terminado a perjura imposta aos pobres cavaleiros de Cristo, o grão-mestre Jacques de Molay e seu aliado Godofredo, ainda tentaram uma ultima súplica alegando que estavam sobre tortura da falsa corte, e´que só confessaram para que o flagelo acabasse logo. Mais o papa Clemente já tinha sentenciado ambos fogueira. Eles foram queimadas naquele mesmo dia.

Entre chamas e labaredas de fogo, Jacques de Molay amaldiçoou Clemente e o rei Filipe e Nogareth e profetizou que eles morreriam ainda aquele mesmo ano, e foi exatamente o que aconteceu. Todos morreram de causas naturais naquele mesmo ano, como havia dito Molay. Coincidencia ou não?

Havia o boato de que a igreja e o rei Filipe, logo Após o fim da Ordem, teriam tomado posse de muitas propriedades dos Templários, mais os tesouros e outras fontes de riqueza que a ordem possuia, permanece uma incógnita. Há quem dis que os tesouros escondidos dos cavaleiros de Cristo não eram jóias e ouros propriamente ditos, e sim, documentos. Mais a natureza desses documentos é desconhecida até´ hoje.

Muitas pessoas acreditam que os Templários que sobreviveram deram continuidades a ordem, mais não há registros históricos que comprovem esses boatos. Outros dizem que eles passaram pela revolução francesa, pois rumores corriam sobre alguem que, após a decapitação do rei Luis XVI ,Gritara alto e em bom som: " Jacques de Molay sua morte está vingada", Mais também estaria no campo das suposições. O que se sabe é que de lá para cá as sociedades secretas se proliferaram com o propósito de alcançar o status de sucessores legítimos da Ordem.

Os Templários, no ápce da sua história, foram regados das mais fantasiosas habilidades que lhes atribuiam, tais como: teriam descoberto a América antes de Colombo, seriam os protetores do santo-graal, outros até afirmavam que eles manipulavam urânio, o que nem chega a ser uma vaga alegoria pois, só a poucos anos a fissão nuclear foi possível com toda a tecnologia e avanço bélico que possuimos. O maximo que eles poderiam fazer com esse minério letal era tentar causar algum tipo de envenenamento coletivo, o que também seria uma faca de dois cumes.

Tambem foram-lhes creditado méritos de conhecimento astronômico e conquistador dos mares. Infelizmente nenhuma dessas habilidades ou conhecimento se encaixa no curriculo dos Templários, elas apenas servem para satisfazer o ego daqueles que tinham os cavaleiros como verdadeiros heróis medievais, o que na verdade a Europa deve aos monge-cavaleiros, é o panorama arquitetônico que eles de alguma forma imortalizaram.